Você deita, apaga a luz e a cabeça começa a trabalhar. A reunião de amanhã, a conversa que ficou estranha, a conta do mês que vem, aquilo que pode dar errado daqui a seis meses. O corpo está parado, mas a mente está correndo. E no dia seguinte você acorda cansado de algo que nem chegou a acontecer.

Se essa cena é familiar, este texto é para você. A preocupação com o futuro é uma das formas mais comuns de a ansiedade aparecer, e também uma das mais difíceis de reconhecer, porque ela se parece muito com responsabilidade.

Preocupar-se não é o problema

Pensar no futuro é uma capacidade valiosa. É ela que permite planejar, se preparar, evitar riscos reais. Ninguém precisa parar de se preocupar por completo.

O que muda o jogo é a frequência, a intensidade e a função dessa preocupação. Quando ela ocupa boa parte do dia, quando gira sempre em torno dos mesmos cenários e quando não leva a nenhuma ação concreta, ela deixa de ser planejamento e passa a ser um ciclo que se alimenta sozinho.

Como funciona o ciclo da preocupação?

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, olhamos para a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. No caso da preocupação ansiosa, o ciclo costuma seguir um caminho parecido:

  1. Surge um pensamento do tipo “e se der errado?”.
  2. Esse pensamento traz uma onda de desconforto: aperto no peito, inquietação, tensão.
  3. Para aliviar o desconforto, a mente tenta resolver o problema antecipadamente, imaginando todos os cenários possíveis.
  4. Como o futuro não pode ser resolvido no presente, a sensação de controle nunca chega. E o ciclo recomeça.

Existe um detalhe importante aqui: muitas vezes a preocupação dá uma falsa sensação de que estamos fazendo alguma coisa. “Se eu pensar bastante nisso, vou estar preparado.” Só que pensar repetidamente no mesmo problema raramente é o mesmo que se preparar para ele.

Quais sinais mostram que a preocupação está pesando?

Não existe uma régua exata, e só uma avaliação individual consegue dizer o que está acontecendo com você. Ainda assim, alguns sinais merecem atenção:

Se você se reconheceu em vários desses pontos, a avaliação inicial do site pode ajudar a organizar o que você está vivendo.

Por que “pare de pensar nisso” não funciona?

Quem convive com a preocupação excessiva já ouviu muitas vezes que é só não pensar. E provavelmente já tentou. O problema é que tentar empurrar um pensamento para longe costuma deixá-lo ainda mais presente. A mente não funciona com um botão de desligar.

Por isso, o trabalho na terapia não é eliminar pensamentos, e sim mudar a relação com eles. Na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), por exemplo, aprendemos a perceber um pensamento como um pensamento, e não como uma previsão certa sobre o futuro. Essa pequena distância já muda bastante a força que ele tem.

O que a terapia trabalha na preocupação excessiva?

Cada pessoa vive a ansiedade de um jeito, então o caminho é sempre construído a partir da sua história. De forma geral, o trabalho pode envolver:

Você pode ver com mais detalhes como funciona o processo desde a primeira sessão.

Um primeiro passo possível

Se a sua cabeça vive no futuro, talvez o mais útil agora seja voltar um pouco para o presente e se perguntar: isso tem me ajudado ou tem me cansado? Não existe resposta certa. Mas existe a possibilidade de responder ao que você sente de um jeito novo.

Se quiser conversar sobre isso, você pode me mandar uma mensagem. Explico como funciona a terapia e vemos juntos o melhor caminho, online ou presencial em Passo Fundo.

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